Crowdfunding

Transformando projetos inovadores em realidade

Por Vinícius Magalhães

 O crowdfunding (financiamento coletivo),  é a arrecadação em dinheiro, no geral, de pessoas físicas que se interessam por algum projeto de cunho mercadológico, social ou artístico e que necessite de ajuda financeira para se concretizar. No geral, as divulgações desses projetos ocorrem através de sites na internet criados especialmente para essa finalidade.

O intuito é transformar projetos inovadores, pequenos negócios e ações filantrópicas em realidade, podendo o projeto dar em troca ao financiador o produto já pronto, um desconto ou uma recompensa proporcional à quantia que ele aplicou.

Atualmente existem dezenas de sites com essa proposta, tendo como destaque o Kickstarter nos EUA e o Cartase no Brasil. O funcionamento é relativamente simples: o usuário submete um projeto à equipe de curadoria do site informando objetivo, justificativa, orçamento, prazo de captação e recompensas aos patrocinadores. Quando aprovado, o projeto é publicado na plataforma online.

O Kickstarter e o Catarse não aceitam projetos de caridade. As ideias podem envolver uma causa social, mas devem ser criativos, e sempre devem oferecer recompensas. Se o projeto anunciado for um filme, por exemplo, o financiador pode receber uma cópia gratuita em primeira mão, ou ser recompensado com uma experiência criativa, como uma visita ao set de filmagem, um telefonema do autor, ou um jantar com o elenco. Por outro lado, propostas que envolvam rifas, sorteios, retorno financeiro e participação societária são proibidas.

Ambos os sites deixam claro que não financiam empresas, apenas projetos. Se o empreendimento tem como intuito ganhar dinheiro, não há nenhum problema,   contudo, esse projeto precisa ser finito, com um começo e um fim bem delimitados.

Os dois utilizam um sistema denominado “tudo ou nada”, ou seja, se a meta de arrecadação não for atingida dentro do prazo estipulado, o projeto é cancelado e todo investimento é devolvido aos patrocinadores. Geralmente a devolução é feita na forma de crédito para aplicação em outras ideias em divulgação no site.

O crowdfunding não é uma fonte mágica de dinheiro. Para a iniciativa dar certo é preciso tomar medidas básicas, como por exemplo, enviar e-mails para amigos próximos e familiares, de modo que eles possam ser os primeiros a contribuir e alavancar a ideia; utilizar de seu blog pessoal, sua página no Facebook, sua conta no Twitter e sintonizar todos os que possam estar ao seu alcance para que lhe deem o suporte necessário até chamar a atenção dos anônimos.

Fazer um vídeo pode ser intimidante, porém é um desafio que vale a pena. Ele diz que você se importa o suficiente sobre o que você está fazendo a ponto de se expor. É um risco pequeno, com uma grande recompensa.

Os projetos podem ficar expostos de um a 90 dias, no entanto, uma maior duração não é necessariamente melhor. Estatisticamente, os projetos com duração de 30 dias ou menos, têm maiores taxas de sucesso.

Nesse novo modelo, quem financia, o faz porque gosta e se identifica com as ideias. Surge então, a oportunidade de fazer parte de algo grande, mesmo contribuindo com pouco. Há diversos exemplos de sucessos que vêm fazendo com que o crowdfunding se torne cada dia mais conhecido e levado a sério. Vejamos alguns:

 

Cidade para Pessoas

Puxe o assunto “problemas da nossa cidade” em qualquer mesa de boteco e a abordagem, salvo raríssimas exceções, será sempre a mesma: “o trânsito anda infernal” ou “andar de bicicleta em cidades como São Paulo é para loucos”.

 Em teoria, as cidades deveriam ser repletas de espaços públicos de convivência e trocas sociais, culturais e intelectuais. Mas com o passar dos anos a ocupação dos espaços públicos foi substituída por uma necessidade de se proteger deles. Ninguém mais se sente seguro andando fora do seu carro, usando transporte público ou morando no Centro.

Partindo dessa realidade, o projeto Cidade para Pessoas nasceu com o objetivo de tentar entender como resolver esses problemas que já sabemos que existe em toda grande cidade e, assim, transformar os espaços públicos em bons lugares para se viver. Mas como fazer isso? Viajando por 12 cidades do mundo durante um ano para tentar responder a essa pergunta.

O critério de escolha dessas doze cidades foi baseado no trabalho do arquiteto dinamarquês Jan Ghel, que atuou nelas como consultor. A proposta é morar durante um mês em cada uma dessas doze cidades que têm projetos de planejamento urbano e, que por isso, as tornam num dos melhores lugares para as pessoas viverem.

Jan Gehl uma vez disse: “sabemos tudo sobre o habitat ideal de todas as espécies de animais do mundo, menos o do homo sapiens”.
Ele dedicou sua carreira de planejador urbano tentando criar esse tal habitat ideal, e o Cidades para Pessoas segue seus ideais.

Com o projeto, a jornalista Natália Garcia já percorreu, de maio a novembro de 2011, sete cidades na Europa: Copenhague, Amsterdam, Londres, Paris, Lyon, Freiburg e Strasbourg em busca de boas ideias que tenham melhorado esses centros urbanos para os moradores. Essa fase da viagem foi financiada com os 25 mil reais arrecadados por meio de crowdfunding na plataforma Catarse.

O resultado são reportagens publicadas em Creative Commons, um livro sobre a experiência da viagem, vídeos e material didático com informações sobre planejamento urbano para serem distribuídos em escolas públicas.

O Cidades para Pessoas terá uma segunda etapa de viagem que vai percorrer as cidades de Barcelona, Rishkesh, Accra, Seoul, Melbourne, São Francisco, Nova Iorque, Portland e Cidade do México. O trabalho será o mesmo: continuar a colher ótimas ideias para a melhoria dos espaços urbanos, e torná-los um lugar mais agradável e útil para todos.

Ajude um repórter

Criado em março de 2010 pelo relações-públicas Gustavo Carneiro, o Ajude um Repórter nasceu com a missão de democratizar o acesso à imprensa. 

O serviço publica solicitações de jornalistas de diversos veículos de comunicação do Brasil e até de outros países, permitindo que qualquer pessoa possa compartilhar seu conhecimento e participar de matérias que serão publicadas. As principais emissoras de TV, rádio e jornais utilizam constantemente o serviço em suas redações.

O Ajude um Repórter é um projeto que nasceu de uma forma muito simples e quase sem investimento, mas que conseguiu entregar valores para jornalistas e fontes todos os dias, sem cobrar absolutamente nada por isso. Após mais de 18 meses funcionando apenas pelo Twitter (@ajudeumreporter), o projeto conseguiu, em março de 2011, captar os 15 mil reais necessários através do site Catarse para criar sua própria plataforma de relacionamentos que tem ajudado repórteres a encontrarem fontes para suas matérias.

O cadastro no site é rápido e dividido em dois grupos: jornalistas e fontes. Ao selecionar o perfil de uso, basta o usuário escolher uma das redes sociais pela qual ele deseja se conectar. As opções são Twitter, Facebook ou Linked In.

A lógica de funcionamento é bastante simples: O jornalista cria uma nova solicitação preenchendo o formulário e publica para que as fontes tenham acesso. 

As fontes, por sua vez, possuem um painel com acesso direto aos pedidos publicados e podem visualizar as solicitações em aberto para enviar a melhor resposta e participar das matérias. Todas as respostas são privadas outros usuários não têm acesso ao que a fonte escreveu para o jornalista.

O Ajude um Repórter conecta jornalistas e produtores de conteúdo a fontes e personagens para matérias que ainda estão sendo produzidos.

O idealizador Gustavo Carneiro acredita que existem formas diferentes de se relacionar com a imprensa e que ela pode ser acessível a qualquer pessoa. A ideia do projeto é democratizar esse acesso e oferecer novas fontes aos repórteres e novas oportunidades a quem busca espaço na mídia.

Sem dúvida esse foi mais um grande exemplo de sucesso que ocorreu graças à contribuição financeira e moral de pessoas que acreditam no poder multidão.

 Pebble: o Smartwatch

Eric Migicovsky

Quando o engenheiro Eric Migicovsky decidiu desenvolver uma nova linha de relógios de pulso ele seguiu o caminho tradicional e procurou as companhias de capital para que financiassem sua ideia, mas como muitos, não foi atendido. Por isso, decidiu recorrer ao site Kickstarter para obter dinheiro suficiente para lançar o que está sendo hoje um dos maiores exemplos de sucesso da plataforma coletiva, o relógio Pebble.

O objetivo inicial era de captar 100 mil dólares, mas surpreendentemente o projeto acabou em pouco mais de um mês contando com a ajuda de mais de 68 mil colaboradores o que gerou uma arrecadação de mais de 10 milhões de dólares em financiamento coletivo.

Segundo Eric “o Pebble é o primeiro relógio construído para o século 21”. Ele é infinitamente personalizável, com diversos visuais de face que podem ser baixados de aplicativos. O Pebble se conecta a iPhones e smartphones Android usando o Bluetooth. Todas as atualizações de software são transmitidas sem fio do celular ao relógio, alertando o usuário com uma vibração silenciosa de chamadas recebidas, e-mails e mensagens.

São os aplicativos que dão vida ao Pebble. Os ciclistas podem usar Pebble, por exemplo, como um computador de bicicleta, acessando o GPS em seu smartphone para exibir a velocidade, distância, ritmo e outros dados diretamente no relógio. Já os corredores podem obter esses dados diretamente em seu pulso. É possível também utilizar aplicativos de controle de música para reproduzir, pausar ou pular faixas no telefone com um toque em seu Pebble.

E simplesmente para aqueles que precisam ficar conectado e alerta a todo tempo, o Pebble pode ajudar com notificações por vibração de mensagens do twitter e facebook e até mesmo alertas meteorológicos.

Os investidores que apoiam projetos de financiamento coletivo sempre recebem alguma forma de recompensa por sua contribuição. No caso do Pebble, a recompensa foi o próprio relógio, o que tornou o projeto mais atraente.

O Kickstarter até o momento já arrecadou mais de US$ 200 milhões para 20 mil projetos diferentes. Ainda que os mais comuns girem em torno de filmes e músicas, o site vem se provando especialmente útil também para novos produtos da área tecnológica.

Isso se dá principalmente pelo fato de o setor tradicional de capital hesitar em investir em empresas iniciantes de hardware. Contudo, os sites de crowdfunding vêm com força para alavancar essas novas ideias e não faltam exemplos de sucesso.

SPOT.US –  Jornalismo com financiamento e colaboração do cidadão

O projeto foi criado em outubro de 2008 pelo jornalista David Cohn. O Spot.Us é um site de notícias que propõe um modelo diferente. O financiamento das reportagens e as sugestões de pauta vêm diretamente dos usuários de forma individual. A iniciativa se define como uma pioneira em projetos de reportagens movida pela comunidade. Com um cadastro gratuito, qualquer internauta pode sugerir pautas.

Atualmente existem mais de 13 mil colaboradores cadastrados. Diferente de outros exemplos, a contribuição financeira não é mediada por sites de Crowdfunding, pois o Spot.us tem seu próprio modelo de arrecadação, que na realidade segue a mesma ideia de outros.

 

Os temas para construção das reportagens são livres, e estas sugestões são chamadas ‘tips’ (dicas). Nelas são descritas questões que o usuário-autor considere pertinente para ser investigada. Estas sugestões ficam no site em uma das seções existentes, que abrangem várias esferas da sociedade, como política, educação, justiça criminal, entre outras. Cabe, então, aos repórteres cadastrados construírem propostas mais específicas de reportagem sobre estas ideias. Quando isto é feito, a ‘tip’ original é substituída por uma ‘pitch’ (proposta).

Esta nova proposta já está vinculada a um repórter, que a cumprirá caso ela seja totalmente financiada, ou seja, quando ela atingir sua meta de arrecadação. O jornalista deve detalhar como será sua atuação, seus objetivos e como a reportagem ajudará a sociedade neste assunto. Na página deve haver também uma breve descrição das qualificações do repórter e de seu trabalho. Neste estágio, as contribuições feitas pelos usuários são efetivamente recolhidas e discriminadas na página. Uma barra informa quanto dinheiro já foi levantado e quanto falta para atingir o nível necessário. Quando a quantia total é reunida, o jornalista cumpre a pauta, em um tempo que varia de duas semanas a dois meses, dependendo da complexidade.

Há ainda o recurso dos ‘assignments’. Ao realizar uma pauta, o repórter pode pedir – se julgar necessário – a ajuda de um usuário em algum ponto da reportagem: tirar fotografias, explorar documentos, conduzir entrevistas etc. Os usuários se candidatam e o jornalista aceita aquele que considerar mais adequado.

Quando a reportagem é finalizada é publicada no Spot.Us, em uma seção específica, sob licença livre permitindo a qualquer pessoa republicá-la, desde que credite os autores e o Spot.Us. Também é possível que seja feita parceria com uma empresa jornalística. Se ela financia 50% do valor da notícia, em troca, pode publicá-la primeiro. Quando isto acontece, o valor financiado pela comunidade volta aos indivíduos na forma de créditos que podem ser direcionados para outras pautas. Entre as organizações jornalísticas que trabalham com o Spot.Us está The New York Times e mais de 100 outros parceiros.

A cobertura do site engloba, sobretudo, o estado da Califórnia, nos Estados Unidos, principalmente nas cidades de San Francisco, Oakland e Los Angeles. Os repórteres cadastrados são freelancers. Suas qualificações variam e os profissionais podem ser iniciantes ou experientes, desde que provem competência.

A proposta do site é importante e bastante atual porque torna viável a execução de matérias e investigações de interesse público, que poderiam ser anulados por conta das amarras e limitações impostas por mecanismos tradicionais da mídia. Além de tornar possível a total participação do cidadão na construção na notícia, contribuindo assim para a transparência que o jornalismo merece.

Como pode ser observado, existe hoje uma tendência de participação cada vez maior das pessoas, nas mais variadas esferas da sociedade, através da internet. Essa maior participação está acontecendo graças às inovações tecnológicas, que tem permitido assim, a criação de novos modelos empresasariais e novas formas de construção da notícia.

Pessoas comuns com grandes idéias têm tido a chance de jogar seus projetos ao mundo e serem apoiadas por outros empreendedores. Sem dúvida estamos caminhando em tempos de mudanças no âmbito empresarial e comunicacional, e essas plataformas de colaboração e financiamento coletivo serão um de seus alicerces.

ENTREVISTA COM DAVID COHN

David Cohn

David Cohn é o fundador e ex-diretor do Spot.Us,  a organização sem fins lucrativos que é pioneira no financiamento coletivo para o jornalismo. Na área acadêmica, é professor na escola de jornalismo da Universidade de Berkeley, além de ter escrito diversas vezes para jornais de expressão, entre eles, o The New York Times.

Atualmente David deixou o comando do Spot.us  para começar seu novo projeto Cir.ca. E mesmo estando altamente ocupado, atendeu ao email e pediu desculpas por ter que ser breve em suas argumentações. De qualquer forma, ele respondeu a várias questões sobre essa nova face do jornalismo em que vivemos. Espero que curtam!

Tradução livre por Vinícius Magalhães

1 – David, a Indústria Jornalística vem sofrendo drásticas mudanças, grande parte devido ao boom da internet nos últimos anos. Eis que surgem então projetos avant-garde como o Spot.us, que estão orientando pessoas e empresas a repensarem e buscarem  uma nova proposta para o jornalismo. Como você vê a importância da plataforma Spot.us e outros startups jornalísticos nesse novo cenário que surge?

David:  Eu acho que a importância desses projetos se dá justamente por eles serem experimentos. Ninguém sabe o que vai acontecer. Nós apenas sabemos que a atual trajetória da indústria jornalística está falindo e não está funcionando mais.
Eu acredito que seja importante exceder os limites do jornalismo – mesmo que isso não faça sentido mercadológico – pois faz sentido para o processo jornalístico. Projetos como Spot.us e tantos outros fazem com que o jornalismo hoje seja mais forte do que no passado, talvez não financeiramente,  mas capacita mais cidadãos para o jornalismo.

2 – No atual cenário digital, muitas empresas jornalísticas tradicionais apenas mudaram seus modelos de arrecadação de recurso para continuarem a existir, seja através da venda de assinaturas online ou da venda de conteúdo para plataformas digitais moveis. Por outro lado, não mudaram em quase nada seu modo de construir a notícia. Você acredita que as mídias mais antigas estão deixando para outros a missão de explorar esse novo cenário?

David:  Eu acredito que as organizações tradicionais de jornalismo fazem o que podem. Devido a sua inércia mercadológica elas ficam sem muitas escolhas sobre o que podem tentar mudar. Faz sentido uma vez que a maioria de seus projetos e experimentos têm sido feitos sob uma linhagem mais empreendedora. E isso é bom! Mas eu acredito que há também um papel a ser desempenhado pelos cidadãos, completamente fora desse contexto institucional. Eu acho isso importante porque não há críticas ou questionamentos se você trabalha fora desse contexto.
Porém você pode achar que iniciar algo a partir do zero possa ser libertador, mas apesar de você não estar atrelado a essa inércia mercadológica, você pode pagar de uma outra forma: quando se começa algo do zero, isso significa que você terá recursos limitados.

3 – David, o Spot.us surge com uma proposta de mostrar que é possível amenizar a dependência financeira da publicidade no que diz respeito ao jornalismo? 

David: Sim. Eu acredito que isso nos mostra que podemos repensar sobre o atual modelo mercadológico e publicitário como um todo. Veja só: http://www.pbs.org/idealab/2010/11/how-spotus-doubled-its-grant-money-with-community-focused-ads320.html

4 – Muitas vezes quando as pessoas falam sobre participação do cidadão no processo jornalístico, algumas pensam em atos como: comentar, envia fotos/vídeos ou compartilhar algo nas redes sociais, mas o Spot.us prova que essa participação pode ir além. Uma vez que a comunidade pode se organizar e financiar uma investigação que seja de importância para ela e para sua localidade. Você acredita que uma forma de participação cidadã tão ativa como essa ajuda na transparência da notícia?

David: Sim. A participação do cidadão no jornalismo não significa apenas que ele possa contribuir com conteúdo. Essa é apenas uma das maneiras das quais ele pode se envolver no processo jornalístico. Há outras mais. As pessoas podem, por exemplo, participar no processo editorial e na tomada de decisões, para assim dar sua opinião sobre quais histórias deve-se abordar. Essa são escolhas muito importantes para construção da notícia, e é bom que o público possa participar dessa forma.

5 – Você acredita que é possível conseguir uma auto-suficiência mesmo sem o dinheiro advindo da publicidade, ou os jornais na verdade precisam de múltiplas formas arrecadação?

David:  Sem dúvida múltiplas formas de arrecadação. Apenas um fluxo de arrecadação não é suficiente.

6 – Há um declínio da velha Indústria Jornalística. Ela está tendo que se inovar e se adaptar as novas mudanças impostas pelo avanço tecnológico e comunicacional. Você acredita que a tendência é que o jornalismo fique cada vez mais independente dessa indústria?

David:  Sim. E eu acho que é importante citar aqui que há uma distinção entre a indústria jornalística e o processo jornalístico. O processo jornalístico está vivo e forte – talvez mais forte do que nunca na história do jornalismo –  isso devido a participação cada vez maior das pessoas. Mas a indústria… ela é fragil.

7 – Há cada vez mais participação coletiva do cidadão. Muitas empresas jornalísticas aceitam essa colaboração porque acabam também recebendo conteúdo gratuito. Por outro lado, o jornalista quer defender seu emprego. Como você enxerga essa questão tão complicada?

David: Eu na verdade acredito que esse seja um falso argumento. Dê uma olhada: http://blog.digidave.org/2009/05/can-professional-journalism-ever-replace-citizen-journalism

8 – David, o que você espera para o jornalismo nos próximos anos?

David:  Eu espero que o jornalismo continue ultrapassando os seus limites e que ele encontre o seu caminho.

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